Voltar para o blog
Maio 2026
Marília Karine

Bem-vindos! Por que falar sobre TDAH?

Bem-vindos! Por que falar sobre TDAH?

Este blog foi pensado para pais, familiares, professores, ou qualquer outra pessoa que queira saber sobre como lidar com crianças, adolescentes e adultos que apresentam muitas dificuldades de manter a atenção por muito tempo. Segundo Paullo Matos, um cientista e estudioso no assunto, é comum que se diga que eles "vivem no mundo da lua", isto é, quando conversam com alguém, quando estão estudando ou lendo, trabalhando, parecem estar longe, pensam ou divagam em um monte de outras coisas...

Você conhece uma pessoa que é inquieta? Não consegue ficar parada ou quietinha, por muito tempo? Detesta fazer coisas monótonas e repetitivas? Pessoas que são impulsivas no seu dia-a-dia? Que fica sempre mudando os seus interesses e planejamento? Tem dificuldades em levar as coisas até o fim, em terminar o que começou? É desorganizada e esquece muito facilmente as coisas?

Muitas vezes, essa pessoa pode ter problemas na sua vida acadêmica. E esses problemas tendem a começar na escola, lá pelo Ensino Fundamental I ou II. Podem apresentar também dificuldades em sua prática profissional e vivências nas relações sociais e familiares.

Sabemos que esses problemas aparecem de forma muito frequente, mas, o que mais me preocupa e é um dos motivos de iniciarmos esse projeto é que muitas pessoas podem passar grande parte de sua vida sem saber ou mesmo considerar que padece de um Transtorno. O diagnóstico não é feito e não há intervenções adequadas, não há acesso ao tratamento adequado. Fora, que muitas vezes um indivíduo com TDAH apresenta outros problemas associados ou comórbidos como depressão, ansiedade ou Transtornos Específicos de Aprendizagem que acaba sendo o foco trabalhado pelo médico ou psicólogo. E o TDAH? Fica de lado, e muitas vezes passa desapercebido pela vida da criança, adolescente ou adulto.

Eu atuei como professora e Matemática durante cerca de 15 anos antes de me tornar psicóloga. Um dos motivos que me fez mudar de área foi ver o quão grande é o sofrimento de crianças, jovens e familiares que vivem de perto a realidade de um TDAH e não conseguir intervir de forma adequada. Fora que muitas vezes o próprio pai padece do mesmo mal que o filho, pois sabemos que o TDAH é um transtorno que tem alta carga genética, ou seja, se um filho tem TDAH, muito provável um dos pais também apresentarem o transtorno.

Eu vi de perto meninas que pareciam boazinhas, bem tranquilas que passavam quase imperceptível pelo ano letivo. Muitas vezes, a única vez que a escola se preocupava com elas era quando estava em iminência de reprovação na série escolar. Quantas dessas meninas poderiam estar apresentando sintomas de TDAH predominantemente desatento e não vimos? A escola não viu. Os familiares não viram. O que restou? Restou a baixa autoestima, o estereotipo de "burrinha", restou a frustração e o sentimento de impotência diante os fracassos escolares que enfrentou durante sua vida escolar que muito provável levará como uma mala pelo resto da sua vida.

Mas porque dei um exemplo de uma menina? Justamente porque, de acordo com o DSM-5, apesar do TDAH ser mais frequente em meninos, há maior probabilidade de meninas apresentarem características de desatenção. Já nos meninos, predominam características hiperativas e/ou impulsivas. Sendo assim, na prática, os meninos incomodam mais nos ambientes e são diagnosticados mais cedo. Já as meninas desatentas, em geral são diagnosticadas mais tarde ou nunca são devido a sintomatologia associada ser de maior aceitação social.

Por isso tudo precisamos falar mais e mais sobre esse transtorno que gera muitas perdas em nossa família, nas nossas relações interpessoais. O TDAH pode ser mediado por práticas de intervenção, pela psicofarmacologia e por métodos terapêuticos alternativos. Nós podemos apoiar nossos filhos, nos apoiar, e olhar o TDAH "de frente", com mais leveza e com a certeza que podemos melhorar sempre.

Convido todos para virem comigo! Vamos juntos, nos dando as mãos para que nossos filhos cresçam com mais saúde mental. Como sempre digo, somente com o amor que nasce da compreensão dos limites de nossos filhos podemos ajudar.

Obrigada a todos e sejam Bem-Vindos!!!

Falar com a NeuroPsiEdu pelo WhatsApp